Ele foi eleito por 265 votos pelo PC do B e figura como o mais jovem vereador em exercício no legislativo belmontense. Estamos falando de Rogério Bahia, formado em letras pela Universidade Estadual da Bahia (UNEB) e coordenador da APLB Sindicato em Belmonte, o mesmo começou sua carreira profissional em 2003 como professor na educação do campo. Em 2009, Rogério passou no concurso municipal e se tornou professor efetivo. O vereador é pai de Isabele e Luis Rogério e é casado há 13 anos com a Senhora Elis Carmem. Se revelando um Exímio negociador, o mesmo, juntamente com os vereadores Alfredo Aberceb e Aelson Matos (Calango),  participou da confecção do acordo entre o Prefeito Janival Borges e a APLB Sindicato que pôs fim a uma greve decretada pelos professores que já durava 15 dias e vinha causando revolta na população.

À nossa equipe o Vereador Rogério Bahia concedeu uma entrevista revelando as medidas que tomou durante a crise da greve dos professores, como está a sua relação com o Prefeito Janival Borges e como vem sendo desenvolvidas as suas atividades no legislativo municipal. Confira logo abaixo:

+BN- No embate entre os professores e o Prefeito Janival Borges você participou diretamente, sendo que, você tem ligações com os dois lados do embate, onde em um você é representante da APLB e no outro você é vereador da base do governo. Como foi gerenciar essa situação?

Rogério- Para muitos, uma situação indelicada, mas para mim, foi a oportunidade de mostrar para a comunidade que mesmo sendo base do governo, podemos divergir sem a necessidade de escandalizar. Na função de vereador, tenho como uma das responsabilidades, levar as necessidades da comunidade ao executivo. Ser da base do governo não tira a minha responsabilidade de representatividade, pelo contrário, aumenta ainda mais. Nessa crise uma função não se misturou com a outra. Tive total liberdade para dialogar com os dois lados e mostrar que, com respeito à comunidade, executivo e legislativo devem caminha juntos.

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Rodada de negociações da APLB Sindicato e o Prefeito Janival Borges antes da greve.

+BN – Falando em relação com o prefeito, esse embate que foi travado por 15 dias abalou essa aproximação que você tem com o gestor?

Rogério – De maneira alguma. O que existe entre mim e o gestor é uma relação de respeito recíproca. Estive lado a lado, sempre orientando, para mostrar e buscar a solução para o embate que acontecia. Aquele era o momento de mostrarmos maturidade para solução do problema. Divergir com respeito ao outro foi algo que aprendi na base familiar e não deixaria de me comportar igual. Se não fosse assim, eu não estaria na reunião que desenhou o acordo do reajuste dos professores e pôs fim à greve.

+BN – Foi muito difícil se chegar a esse acordo?

Rogério – Foi um debate de interpretações à respeito de direitos e deveres das partes (Executivo/Legislativo). O que fizemos foi sentar com o prefeito e mostrar o caminho para solução do problema e as más consequências que a briga estava trazendo para a comunidade e para o governo. Uma solução judicial podia demorar muito e trazer sérios prejuízos para os alunos. O que eu sempre deixei bem claro é que a categoria não abriria mão do reajuste do piso nacional. Depois de muita negociação ficou acertado que ele reajustaria os salários dos professores e depois negociaríamos o pagamento do retroativo. A proposta foi apresentada à categoria que também entendeu a gravidade da situação e aceitou encerrar a greve. O que fizemos foi dividir as negociações em etapas para poder ficar mais fácil a conversa.

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Presidente da Câmara Aelson Matos (Calango), Vice-presidente Alfredo Abecerb, Vereador e representante da APLB Sindicato Rogério Bahia e o Prefeito Janival Borges exibindo o acordo que pôs fim à greve dos professores.

+BN – Você foi criticado por alguns professores de não ter aparecido nas últimas manifestações. Como você responde a essas críticas?

Rogério – Estive participando das manifestações e mobilizações ligadas a APLB-Sindicato. A minha preocupação em não participar de outras manifestações, era bem simples: Eu não queria me aproveitar do momento e tirar proveito político da situação. Por isso, preferi estar com a APLB-Sindicato e nos bastidores buscar a solução. Eu respeito os colegas vereadores que foram para as ruas junto com os manifestantes, mas eu queria a solução do problema e preferi agir nos bastidores como o auxílio dos vereadores Calango e Alfredo. Talvez, se não tivesse havido esse discernimento, a greve estaria acontecendo até hoje. Imagine se nós três tivéssemos ido para a rua e declarado guerra ao prefeito. O que aconteceria era um acirramento do conflito existente, as relações entre os poderes executivo e legislativo seriam afetadas, começaria uma guerra desproporcional com mais ações judiciais e o povo é que seria prejudicado. Um conflito desse só interessa a quem é oposição política ao atual governo. Nesse momento foi preciso ter cabeça fria e buscar uma solução que fosse boa para todos.

+BN – Qual o próximo passo desse acordo, agora?

Rogério – Agora esperaremos a proposta do executivo constando a forma que vai se efetuar o pagamento do retroativo. Essa proposta vai ser apresentada à categoria e recomeçaremos as negociações. O meu objetivo é garantir os direitos dos professores e espero que a gente consiga chegar a um consenso e arrume uma solução boa para os dois lados.

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Vereador Rogerio Bahia em manifestação promovida pela APLB Sindicato.

+BN – Recentemente o Prefeito Janival Borges deu uma declaração de que o aumento dos professores geraria um alto custo para o município e que a gestão teria que demitir para cobrir um rombo nas contas de R$ 100.000,00. Nessa mesma declaração ele comentou que participou à APLB essa situação e que a comissão que estava negociando respondeu que a responsabilidade da mesma era com os efetivos e não funcionários contratados. Qual a sua opinião sobre essa declaração?

Rogério – Defendemos direitos de trabalhadores filiados, independente de ser contratado ou efetivo. Estávamos cobrando o que nos é de direito e garantido por Lei Federal. A responsabilidade de contratar ou demitir não é e nunca será da classe trabalhadora. Acreditamos que o que houve foram más interpretações. Acredito ser um caso já superado. O que importa agora é que as aulas já começaram e que, em breve, teremos uma definição dos pagamentos do retroativo.

+BN – Finalizando a nossa conversa. O que podemos esperar do Vereador Rogério dentro da Câmara de Vereadores?

Rogério – Vocês vão ter um vereador extremamente dedicado às questões da comunidade. Um vereador que pretende agir junto ao executivo para trazer a cada dia mais melhorias para a nossa cidade. Já tenho alguns projetos de lei sendo elaborados que influirão positivamente no cotidiano da cidade. Pretendo apresentar esses projetos para a população e coloca-los em votação logo após o período de recesso. Finalizo firmando o compromisso de que a população terá um representante consciente da sua responsabilidade, que saberá apoiar as iniciativas corretas do executivo e que não baixará a cabeça na hora de defender e proteger os interesses dos belmontenses.